Ginástica Laboral: compreendendo o mercado e as oportunidades

Sendo realizada no ambiente em home office e com duração média de 15 minutos, a ginástica laboral é uma prática que tem como principal objetivo prevenir lesões ortopédicas relacionadas a sobrecarga gerada pelas atividades do trabalho. Ela faz parte de uma área denominada Biomecânica Ocupacional, que estuda a interação física dos trabalhadores com as suas ferramentas, máquinas e materiais, visando diminuir a sobrecarga e otimizar o desempenho/eficiência no trabalho.

Para trazer mais informações para você, leitor que acompanha o nosso blog, realizamos uma entrevista com o especialista em ginástica laboral Leonardo Lopardo, ex-presidente da EEFUSP Júnior Consultoria e um dos fundadores da Glaboral, empresa com 13 anos de experiência neste mercado.

  1. Quais os principais eixos de trabalho em um programa de ginástica laboral?

A ginástica laboral é parte de um programa de qualidade de vida. Hoje em dia quase todas as empresas têm esse serviço. As empresas grandes, todas que eu conheço tem. Já as empresas médias quase todas tem e uma parte das pequenas têm algum programa de incentivo à saúde. Quando eu comecei, em 2007, a Ginástica Laboral estava mais relacionada a problemas ergonômicos, mas nesse sentido as corporações evoluíram bastante. Atualmente os distúrbios estão mais relacionados ao estresse e à saúde mental, onde a Ginástica Laboral não é mais o único recurso para um programa de qualidade de vida.

Geralmente um programa de Ginástica Laboral começa por uma avaliação ergonômica. De acordo com o porte da empresa e a sua cultura organizacional, o trabalho envolve o acompanhamento da medicina e segurança do trabalho e da equipe de recursos humanos, geralmente visando a saúde física dos colaboradores, onde a Ginástica Laboral funciona como uma pausa ativa. Algumas empresas pensam e usam o tempo como uma quebra de rotina, usando a pausa como algo relacionado a atividade física, utilizando o espaço temporal para realizar alguma atividade, não necessariamente o alongamento. Aliás, muitas empresas pensavam (e pensam) até hoje que a Ginástica Laboral se resume a alongamento, mas há opções para fazer outras atividades como fortalecimento, mobilidade e para trabalhar a comunicação etc.

Nesse sentido, o eixo de trabalho varia de acordo com o perfil da empresa, para cada uma é desenvolvido um sistema de trabalho, baseado nas particularidades ali presentes, estruturando o serviço de acordo com as necessidades do seu cliente.”

2. Qual a importância e vantagens de aplicar um programa de ginástica laboral dentro de uma empresa? Tanto do ponto de vista econômico quanto no quesito saúde, prosperidade e produção da empresa?

Existem progressos em todos pontos: sobre a questão da produção, a Ginástica Laboral minimiza os afastamentos, o absenteísmo (faltas) e o presenteísmo (baixa produtividade). Mas a Ginástica Laboral como programa isolado e sem o suporte de outros programas da empresa não é capaz de resolver todos os problemas.

Sabendo dos benefícios da Ginástica Laboral e demais programas de saúde, algumas empresas bonificam o colaborador em função de sua adesão, como por exemplo, ganhar dias adicionais de férias se participar de determinado percentual das atividades.

O segundo ponto sobre melhora da saúde: É importante relacionarmos o tempo de atividade, geralmente curto, cerca de 10 a 15 minutos e, em algumas empresas até menos. Então, os objetivos que queremos atingir, devem estar atrelados ao tempo de atividade e a frequência semanal, pois a laboral, tem aplicações de duas, três e até cinco vezes na semana, porém o funcionário, as vezes trabalha em escalas, com folgas durante a semana, por isso, nem sempre esse colaborador consegue fazer o programa completo, muitas vezes ele faz duas vezes naquele período ou até uma.

Então só a ginastica laboral tem benefícios a saúde?

Tem! Pois é um hábito angular, que estimula outros hábitos saudáveis e ainda proporciona benefícios físicos, mentais e emocionais.

Saúde e ergonomia andam lado a lado e estão melhorando. Porém, um ponto que tem piorado muito é a saúde mental, pois há muitas reuniões, demandas por meios on line e essa pausa acaba sendo fundamental para a descontração. Estudos comprovam que os erros relacionados à atenção dos colaboradores diminuem. Contudo, a ginástica laboral é parte de um programa, ou seja, a empresa tem de criar um projeto aliado a ginástica, para garantir o bem estar dos colaboradores.

Sobre o ponto de vista econômico, há estudos sobre retorno financeiro. Poucos controlam o retorno da Ginástica Laboral isoladamente. O que existe é o controle do, programa como um todo e nesses casos o retorno chega a ser seis vezes o valor investido.

3. Quais diferenciais uma empresa Jr poderia adotar a fim de se destacar perante empresas sêniores no que concerne ginástica laboral?

Para Empresa Júnior, para qualquer empresa ou para qualquer profissional, diferencial é entregar mais do que o solicitado. O cliente contrata um programa de Ginástica Laboral, duas vezes por semana, se a empresa entrega apenas isso, ela atendeu o que foi solicitado, mas muitas outras empresas podem fazer o mesmo e algumas mais, qual você escolheria?

Quando se trata de uma Empresa Júnior, vocês tem uma equipe de pessoas que está ao lado da ciência, inovação, estão na faculdade, com professores, visões diversas, motivados, onde o conhecimento está muito puro e vocês tem uma equipe. O mercado de Ginástica Laboral tem geralmente 3 tipos de empresas: as empresas grandes, algumas no mercado há mais de 20 anos, tem as empresas médias com uma boa estrutura e as empresas pequenas, geralmente com o profissional que dava aulas e empreendeu. O número de pequenas empresas cresceu muito nos últimos anos quando houve a possibilidade do “MEI” (micro empreendedor individual). Atualmente, o Microempresário Individual não é permitido na área de Educação Física. É importante lembrar que a toda empresa grande já foi pequena um dia.

 Mas respondendo: é entregar um diferencial, pode ser preço, qualidade, serviço agregado, método, processo. Vocês têm um método diferente? Vocês têm um processo diferente? Vocês têm uma experiencia que deu certo? Basicamente é isso! No nosso caso a gente se diferenciou entregando mais, como começamos depois, nós estávamos (e estamos) sempre presentes, tentando entregar diferenciação mesmo sem o custo, tentando inovar. “

PAUSA ATIVA

4.  Recomendações de formas de acompanhamento da evolução das aulas de maneira remota/ tem alguma ideia de como podemos fazer avaliação de ergonomia de maneira online, pensando na melhoria do nosso serviço?

Vou começar pelo final. Temos sim…esse é até um serviço novo: “Ergonomia em home office”. Porém tem algumas dificuldades, não sei se vocês já fizeram. O que você está vendo da minha estação aqui não é o real; o que eu estou vendo de vocês não é o real. Existem algumas dificuldades por questão de posicionamento de câmera. Mas temos feito sim, tem ajudado muito! São coisas muito simples, sabe? Com a prática de ergonomia que eu aprendi na EEFE e a experiência de alguns anos, você identifica boa parte dos problemas ergonômicos…o resto é estudar os protocolos específicos.

Em relação a acompanhar aula, nós acompanhamos grande parte das aulas! As aulas geralmente são pelo Zoom ou pelo Teams talvez seja até a próxima pergunta: eu não acho que haverá aula de Ginástica Laboral online no futuro. Para mim não vai dar certo…talvez eu esteja errado. Estamos fazendo em algumas empresas em função da pandemia, mas quando acabar, pode ser uma solução para algumas empresas, só que não é a melhor solução para a maioria das empresas. Temos feito bastante desde o começo e temos acompanhado, assim como qualquer coisa…você pode fechar a câmera, fazer o que você quer, é mais difícil corrigir, as pessoas têm velocidade de dados diferentes, são posições diferentes, o professor, enfim…são diferentes variáveis que interferem. É a melhor solução para o momento, mas é melhor fazer presencial em um local controlado e tudo mais. Tem a questão da pausa também que eu falei para vocês…a Ginástica Laboral é uma pausa ativa, né? A gente tem visto pessoal trabalhando em casa, não faz no horário de almoço, trabalha a noite, trabalha no sofá, trabalha na cama, então assim, essa é minha visão, não é pessimista, tá? Acho que é isso.

Pode ser que tenha um aplicativo que funcione?

Pode até ser que substitua a Ginástica Laboral?

Eu vou falar para você, nos últimos 4 anos eu conheci uns 5 aplicativos. Não o da Nike que você comentou, mas esses exercícios de exercício físico, desse 4 apps que eu conheci, 3 não deram certo. Não era um app de ginástica laboral, eram apps de gamificação de programas de qualidade de vida,

Para ser sincero eu não sei te falar hoje se vai dar certo ou não. O que eu vejo nas empresas, as pessoas gostam de inovação, custo e praticidade, mas o desafio é fazer algo com essas variáveis envolvidas. Sobre substituir a Ginástica Laboral, na empresa da minha esposa tinha um software que dava um alerta em determinado horário, o computador mostrava uma aula, ninguém fazia. Assim, eu acho que a Ginástica Laboral, o custo benefício de fazer online não vale a pena, porém na pandemia tem sido uma alternativa, para manter os colaboradores ativos. Algumas empresas já estão voltando as atividades presenciais, com todos os protocolos de segurança.

5.  Você acha que a GL carece de inovações na aplicação de um programa nas empresas? Se sim, como seria possível uma inovação?

“Carece sim, com certeza. Tanto que as pessoas até tentam mudar o nome de Ginástica Laboral, tem pessoas que chamam de Ginástica Funcional.  As pessoas tentam mudar o nome porque já fizeram várias vezes programas que não deram certo.”

“Como inovar é um desafio! Há limitadores como: tempo, espaço, liderança. Então você precisaria ter uma equipe e ter liberdade para fazer as coisas. As pessoas acabam usando as mesmas funções, como música, uma aula diferente etc., mas nem sempre o mercado vê isso como uma inovação. A gente tem testado algumas coisas, e temos em mente:

Bom, é um trabalho em 10 a 15 minutos, então você tem que pensar – Na sua inovação você tem tecnologia? Você tem profissional para fazer? Você tem um padrão para fazer? Porque se a Bárbara faz e no dia que ela não vai o negócio não acontece, significa que há uma dependência de somente um para fazer.

“Então são várias coisas que precisam ser pensadas. Tá, dá certo em uma empresa, mas não em outra, varia de perfil para perfil, ou seja, em qual empresa dá certo? Às vezes você tem uma empresa de call center que não dá certo. O negócio é complexo, por isso cada um vai desenvolver um programa personalizado, como se fosse um personal trainer, por exemplo.”

Por fim, é importante que vocês saibam que haverá um Congresso de Ginástica Laboral organizado por uma Associação chamada ABGL (Associação Brasileira de Ginástica Laboral). Existe uma outra associação chamada ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida). Nessas associações vocês terão acesso a diversas visões e conteúdos sobre Ginástica Laboral e Qualidade de Vida.

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